4 de outubro de 2005

e pensava eu

que estar de férias era melhor para escrever. Claro que assim posso postar às duas da manhã sem grande medo de no dia seguinte estar com os olhos a derreterem para fora das órbitas em frente ao computador (como este ano, depois de vir de Lecce, chegar a Roma às 6 da manhã e ir trabalhar às 9). Mas a modorra instala-se de tal modo que não vejo a hora de recomeçar o trabalho! E de ter alguém de quem dizer mal a não ser dos meus flatmates actuais, mas esses, coitados, já têm que me aturar bastante quando chegam a casa (sim, porque eles trabalham...). Aliás, eles e a vizinha, coitada, que as nossas casitas só têm uma singela parede de 11 a dividi-las. E não é que a senhora dorme com a cabeça encostada ao mesmo lado do nosso sofá, mas do outro lado da parede? Isto anima-me já a escrever, visto que no sábado passado deve ter sofrido bastante já que estivemos até às tantas a jantar, e de que é que falam 5 arquitectos a jantar cá em casa? da Ordem e da revogação do 73/73, claro e em altos berros! Disso já disse aquilo que penso no jantar e também por este pasquim, mas deixo uma consideração que espero seja mais pacífica:
A crítica que se faz à Ordem, pelo menos que eu tenha ouvido, é que não nos protege. Não nos protege, não faz nada por nós, deixa-nos ao deus-dará e só nos põe é entraves. Eu até aceito que me digam qualquer coisa do género: Vamos-te criar montes de problemas para entrar, mas assim que cá estiveres vais estar defendido e prestigiado. Isso, se não fôr demasiadamente levado a sério, até posso aceitar. Agora o que NUNCA vai existir, é a Ordem proteger-nos enquanto tiver um regime de exclusividade. Para que um arquitecto possa assinar, tem que fazer parte da Ordem. Por lei, e assim vamos lá parar todos, quer queiramos quer não! Ou seja, o que é que lhes interessa fazer o que quer que seja por nós? A não ser para ganhar as eleições de quando em quando, mas também, pobre recompensa... (se descontarmos os contactos). Assim, em vez de ser um garante de profissionalismo e competência, a Ordem é sim mais um entrave burocrático para o exercício de uma profissão (quando no nosso miserável país aquilo que menos precisamos é de gente à espera de se tornar activa). Se o facto de pertencer a uma Ordem fosse opcional para poder exercer a profissão, em primeiro lugar esta teria sim que garantir um prestígio (senão não tinha clientes) e em segundo lugar poderiam até haver mais Ordens, cada uma concorrendo livremente entre si (isto já um sonho demasiado alto para este poço de mediocridade).
Hoje em dia, para ser membro da Ordem basta cumprir um estágio de um ano. Nada que não se faça de qualquer maneira, com Ordem ou sem ela. A posição deles para o futuro, é, naturalmente, a de complicar mais as coisas (com a introdução de um exame, por exemplo) e de restringir a práctica da arquitectura aos arquitectos. A minha, é a de liberalizar completamente a profissão...

Sem comentários: